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A endometriose é uma condição de saúde altamente incidente no público feminino. De acordo com o ginecologista, cirurgião robótico e professor doutor do Hospital das Clínicas da USP, Sérgio Conti Ribeiro, cerca de 10% das mulheres enfrentam essa doença. O tema ganhou destaque em uma mesa redonda de especialistas médicos, que debateram os principais sintomas, métodos de diagnóstico e as alternativas modernas de tratamento para a enfermidade.
Didaticamente, a endometriose ocorre quando as células do endométrio — o tecido que reveste a parede interna do útero — começam a crescer fora da cavidade uterina, fixando-se em órgãos vizinhos como ovários, trompas, intestinos e bexiga.
“É como se uma sala fosse o útero e nós revestíssemos ela inteira com carpete, mas, por algum motivo, pedaços desse mesmo carpete passassem a aparecer e crescer no corredor do lado de fora”, simplificou o Dr. Sérgio Conti Ribeiro.
Sintomas e o perigo de camuflar a dor
A ginecologista e cirurgiã Gabriela Rebelo explicou que a dor pélvica crônica é o sinal de alerta mais contundente da endometriose. Essa dor manifesta-se de forma aguda principalmente em dois momentos: durante o período menstrual (cólicas severas) e ao longo das relações sexuais. A médica ressalta que as pacientes também costumam relatar alterações intestinais e urinárias associadas ao ciclo.
Os médicos fazem um apelo importante: sentir cólicas incapacitantes não é normal. Existe uma tendência cultural e social de achar que sofrer com dores no período menstrual faz parte da rotina feminina, o que acaba atrasando a busca por ajuda especializada. Se a cólica impede a mulher de trabalhar, estudar ou realizar tarefas básicas diárias, ela precisa ser rigorosamente investigada.
Diagnóstico no Brasil demora cerca de 7 anos
Dados consolidados do Ministério da Saúde apontam uma realidade preocupante: o diagnóstico definitivo da endometriose no Brasil demora, em média, sete anos desde as primeiras manifestações dos sintomas. Durante esse longo intervalo, as mulheres convivem com dores severas, desgaste emocional, prejuízos na vida profissional e afetiva, além do fantasma da infertilidade.
Apesar da demora habitual, o Dr. Sérgio Conti Ribeiro esclarece que o diagnóstico inicial pode ser suspeitado de forma simples, no próprio consultório médico, por meio do exame físico de toque ginecológico. Havendo a suspeita clínica, o ginecologista solicita exames de imagem específicos de alta resolução para confirmar o mapeamento da doença, como:
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Ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal;
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Ressonância magnética da pelve (também realizada com protocolo de preparo intestinal).
Tratamentos e a relação com a infertilidade
Uma das maiores preocupações de quem descobre a doença é a infertilidade. De fato, a endometriose é uma das principais causas de dificuldades para engravidar, mas o diagnóstico não significa a impossibilidade de ter filhos, principalmente se for tratada adequadamente.
O tratamento varia conforme a gravidade dos focos e o desejo da paciente de engravidar. As opções vão desde o bloqueio hormonal por medicamentos (para suspender a menstruação e conter o avanço do tecido) até intervenções cirúrgicas. Atualmente, os maiores avanços médicos estão concentrados nas cirurgias minimamente invasivas, como a laparoscopia e a cirurgia robótica de alta precisão. Elas removem os focos da doença preservando ao máximo a anatomia dos órgãos e proporcionando uma recuperação muito mais rápida e segura para as pacientes.
Via: CNN Brasil
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