Por que China e Índia, os países mais populosos do mundo, não estão na Copa de 2026?

Por que China e Índia, os países mais populosos do mundo, não estão na Copa de 2026?

Imagem: Presidential Press and Information Office / Kremlin

 

A Copa do Mundo de 2026 conta com um formato expandido e inédito de 48 seleções, o que abriu mais vagas para o continente asiático. Mesmo assim, os dois gigantes demográficos do planeta, China e Índia, que somam juntos quase 3 bilhões de habitantes, assistem ao torneio pela televisão. A ausência das duas nações gerou tanta curiosidade que se tornou um dos principais questionamentos medidos pelo Google Trends nos últimos dias.

Estar longe do principal torneio de futebol do planeta reflete a posição de ambos no ranking oficial da Fifa. A China atualmente amarga uma posição fora do Top 90, enquanto a Índia despenca ainda mais, ocupando a 138ª colocação — patamares que evidenciam o abismo técnico em relação às potências globais da modalidade.

Como os gigantes caíram nas Eliminatórias Asiáticas

Apesar da expectativa de que o aumento de vagas na Ásia facilitaria o caminho, as duas seleções decepcionaram em suas respectivas trajetórias:

  • Índia: Teve uma das quedas mais precoces, sendo eliminada ainda na segunda fase das Eliminatórias. O time indiano perdeu um confronto decisivo por 2 a 1 para o Catar e viu a seleção do Kuwait avançar, dando adeus às chances de ir ao Mundial de forma antecipada.

  • China: Conseguiu avançar até a terceira fase, mas o desempenho foi abaixo do esperado. Os chineses terminaram na quinta colocação do Grupo C, somando apenas nove pontos, sendo superados por adversários regionais muito mais competitivos.

Celeiro sem sementes: Por que ter bilhões de habitantes não basta?

Especialistas e cientistas esportivos explicam que uma grande densidade demográfica aumenta a probabilidade estatística de encontrar talentos, mas a engrenagem do futebol profissional exige fatores estruturais que nem a China e nem a Índia conseguiram consolidar.

O primeiro ponto é a cultura esportiva. Na Índia, por exemplo, o futebol é considerado um esporte secundário, visto que o Críquete é a verdadeira paixão nacional, centralizando os investimentos, os ídolos, a atenção da mídia e o apelo comercial.

Além disso, falta capilaridade na base. Para formar atletas de elite, é necessário que milhões de crianças joguem de forma competitiva desde a infância, amparadas por ligas escolares estruturadas, treinadores qualificados e clubes de base integrados ao profissionalismo — o modelo adotado por Brasil, Argentina, França e Espanha.

A China tentou atalhos financeiros na última década, promovendo uma liga nacional bilionária com salários astronômicos para atrair estrelas e técnicos estrangeiros. Contudo, o investimento não se traduziu na evolução de atletas locais. Para piorar, o futebol chinês foi assolado por crises financeiras em seus principais clubes, problemas crônicos de gestão e escândalos de corrupção interna que destruíram o planejamento de longo prazo.

O fenômeno do Uruguai: A lição vinda do oposto

Se a China e a Índia provam que tamanho não é documento no futebol, o Uruguai surge como a grande antítese desse cenário.

Com uma população estimada em cerca de 3,4 milhões de habitantes — equivalente a uma fração de qualquer metrópole chinesa ou indiana —, a Celeste Olímpica é dona de duas Copas do Mundo (1930 e 1950) e continua revelando craques para o primeiro escalão europeu. O segredo uruguaio reside em uma cultura enraizada onde o futebol faz parte do DNA cotidiano, com competições infantis organizadas e clubes tradicionais focados historicamente na lapidação de jovens talentos.

Via: Bem Paraná

 

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