Imagem: CNP/ADM/Capital Pictures/picture alliance via DW
A Copa do Mundo de 2026 começa oficialmente nesta quinta-feira, mas o setor hoteleiro dos Estados Unidos já amarga o título de primeiro perdedor do torneio. As 11 cidades-sede americanas registram taxas de ocupação em queda livre e expectativas pessimistas. O cenário contrasta drasticamente com o otimismo das outras cinco cidades-sede localizadas no México e no Canadá, que registram um fluxo muito maior de reservas.
Especialistas e empresários creditam esse esvaziamento, em grande parte, à política restritiva de vistos e imigração imposta pelo governo de Donald Trump. O rigor nas fronteiras vem afastando torcedores de futebol de dezenas de nacionalidades, forçando o público internacional a desviar a rota turística em direção aos outros dois países anfitriões do Mundial.
Delegações barradas e episódios hostis em aeroportos
O impacto diplomático atinge diretamente o coração da competição. Das 48 seleções classificadas, as delegações do Haiti e do Irã enfrentam proibições severas de entrada em solo americano. Já os países de Costa do Marfim e Senegal estão sujeitos a restrições parciais, enquanto várias outras seleções precisaram adiar suas viagens devido à extrema lentidão e burocracia para a obtenção de vistos.
Mesmo antes do apito inicial, incidentes hostis protagonizados pela segurança de aeroportos americanos ganham as manchetes globais:
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Árbitro barrado: Apontado pela Fifa como o melhor juiz do continente africano, o somali Omar Abdulkadir Artan foi barrado pela imigração, interrogado por 11 horas e acabou cortado da Copa do Mundo.
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Jogador retido: O atacante iraquiano Aymen Hussein ficou retido por sete horas no Aeroporto Internacional O’Hare, em Chicago. A segurança alegou ter confundido o principal jogador da seleção do Iraque com um suspeito.
O temor generalizado de enfrentar revistas humilhantes ou correr o risco de deportação imediata pulverizou a motivação dos turistas estrangeiros.
Ocupação hoteleira decepciona e fica abaixo dos 40%
De acordo com dados consolidados pela CoStar, empresa que analisa o mercado de hotelaria, as cidades de Vancouver (Canadá) e Guadalajara (México) lideram a procura e já ostentam 48% das vagas preenchidas. Nos Estados Unidos, o desempenho é considerado decepcionante: com exceção de Los Angeles, nenhuma outra cidade-sede americana conseguiu atingir a marca de 40% de ocupação.
Uma pesquisa realizada pela Associação de Hotéis e Hospedagem dos EUA (AHLA) revelou o tamanho do prejuízo para o setor privado:
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80% dos hoteleiros entrevistados relataram que as reservas ficaram muito abaixo das previsões iniciais.
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70% afirmaram categoricamente que as restrições de vistos e as tensões geopolíticas minaram a demanda de turistas internacionais.
"Uma série de fatores moderou o otimismo inicial. Para concretizar nosso potencial, os EUA e a Fifa devem garantir uma experiência acolhedora e tranquila para os viajantes estrangeiros", pondera a presidente da AHLA, Rosanna Maietta.
Além do fantasma da imigração, os preços exorbitantes dos ingressos e o custo elevado dos transportes internos nos EUA ajudaram a espantar os torcedores. O declínio turístico começou a se acentuar no início do segundo mandato de Trump, que proibiu a entrada de cidadãos de 39 países e suspendeu vistos em 75 nações — uma política isolacionista que se impôs de forma rígida diante de uma Fifa inoperante e incapaz de negociar flexibilizações para o maior evento esportivo do planeta.
Via:g1
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