Imagem: Tânia Rêgo
A proposta de redução da jornada de trabalho no Brasil e o fim da escala 6x1 colocaram em lados opostos entidades patronais e centros de pesquisa econômica. Enquanto confederações que representam indústrias e o comércio preveem prejuízos bilionários e inflação, estudos do Ipea e da Unicamp sugerem que os impactos podem ser absorvidos e até gerar novos empregos.
A divergência central não é apenas técnica, mas política: trata-se de uma disputa sobre como dividir os ganhos de produtividade e a renda no país.
O Lado dos Empregadores: Medo de Inflação e Perda de PIB
As entidades patronais apresentam projeções mais rígidas, baseadas no aumento imediato do custo operacional:
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CNI (Indústria): Estima uma perda de R$ 76 bilhões no PIB brasileiro (-0,7%) e uma alta média de 6,2% nos preços dos produtos.
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CNC (Comércio e Serviços): Projeta que o custo da folha salarial suba 21%, o que poderia gerar um repasse de até 13% nos preços ao consumidor final.
Para Ricardo Alban, presidente da CNI, a mudança tornaria a indústria brasileira menos competitiva frente ao mercado internacional, reduzindo as exportações e encarecendo o consumo doméstico.
O Lado dos Pesquisadores: Absorção de Custos e Mais Empregos
Por outro lado, o Ipea e a Unicamp argumentam que a economia brasileira tem mecanismos para ajustar essa mudança sem causar crises:
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Impacto Real: O Ipea calcula que o aumento no custo total das empresas seria de apenas 1% na maioria dos setores. O ramo de vigilância seria o mais afetado, com 6,6%.
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Inflação Controlada: Para o economista Felipe Pateo (Ipea), se o custo operacional sobe 1%, o impacto no preço final tende a ser marginal, especialmente em mercados onde a concorrência impede reajustes abusivos.
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Comparação com Salário Mínimo: Pesquisadores lembram que aumentos reais do salário mínimo (como os de 2012 e 2024) não geraram desemprego nem explosão inflacionária, servindo como modelo para a redução da jornada.
Conflito de Perspectivas
A diferença nos números ocorre pelos "pressupostos" de cada estudo:
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Visão Patronal: Assume que menos horas trabalhadas significam, obrigatoriamente, menos produção e menos renda.
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Visão Acadêmica/Ipea: Assume que a redução da jornada incentiva novas contratações, melhora a produtividade do trabalhador e estimula o consumo, podendo até elevar o PIB a longo prazo.
Enquanto o debate avança no Congresso, o Ipea ressalta que pequenas empresas (com até nove funcionários) podem precisar de apoio do governo para realizar a transição, mas que, para o conjunto da sociedade, os ganhos em qualidade de vida e saúde pública superam os custos marginais de adaptação.
Via: Agência Brasil
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