Imagem: Marcello Casal jr
Sete em cada dez brasileiros com diabetes (70%) afirmam que a doença afeta de modo significativo o seu bem-estar emocional. Além disso, 78% relatam sofrer com ansiedade ou preocupação com o futuro, e dois em cada cinco pacientes se sentem sós ou isolados. Os dados são de uma pesquisa global realizada pelo Global Wellness Institute (GWI), em parceria com a Roche Diagnóstica.
O estudo foi realizado em nível global com 4.326 pessoas com diabetes em 22 países. O Brasil ocupa a 6ª posição mundial em casos da doença, somando um total de 16,6 milhões de adultos diagnosticados, de acordo com o Atlas Global do Diabetes. No grupo de pacientes com diabetes tipo 1 (DM1), o impacto emocional é ainda maior, atingindo 77% dos entrevistados.
Rotina afetada e variações glicêmicas
O levantamento aponta que a oscilação nos níveis de açúcar no sangue interfere diretamente no cotidiano e na qualidade de vida dos brasileiros:
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Limitação diária: Para 56% dos entrevistados, a doença limita a capacidade de passar o dia fora de casa.
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Ambiente profissional e trânsito: 46% relatam dificuldades em situações comuns, como reuniões longas.
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Qualidade do sono: 55% afirmam não acordar plenamente descansados devido às variações glicêmicas noturnas.
Apenas 35% dos pacientes se consideram muito confiantes no gerenciamento da própria condição, evidenciando falhas no modelo atual de cuidado e controle da patologia.
A busca por previsibilidade e o uso da tecnologia
Diante das dificuldades, 44% dos consultados defendem que tecnologias inteligentes capazes de prever mudanças nos níveis de glicose deveriam ser priorizadas. Entre os que utilizam os medidores tradicionais (glicosímetros de ponta de dedo), 46% defendem a adoção de sensores de monitoramento contínuo de glicose (CGM), que emitem alertas preditivos.
Para os pacientes do tipo 1, 95% consideram fundamentais ferramentas que prevejam episódios de hipoglicemia e hiperglicemia. Conforme explica o endocrinologista André Vianna, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), os sensores permitem ao paciente entender o comportamento da glicose com antecedência e tomar atitudes preventivas, o que reduz internações e custos para o sistema de saúde.
Barreira de acesso e o cenário no SUS
Embora os sensores sejam amplamente distribuídos de forma gratuita em países como França e Reino Unido, no Brasil esses aparelhos ainda estão restritos à população de maior poder aquisitivo.
O Ministério da Saúde oficializou a decisão de não incorporar o monitoramento contínuo de glicose por escaneamento intermitente ao Sistema Único de Saúde (SUS). Em contrapartida, a Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados estuda um Projeto de Lei que visa obrigar o SUS a fornecer os dispositivos gratuitamente. O texto ainda passará pelas comissões de Finanças e Tributação, e de Constituição e Justiça antes de seguir para votação no Senado.
Via: Agência Brasil
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