Imagem: Fernando Frazão
O Ministério da Saúde anunciou nesta terça-feira uma série de medidas estratégicas com o objetivo de preparar o Sistema Único de Saúde (SUS) para enfrentar os efeitos do fenômeno El Niño e os impactos diretos das mudanças climáticas na saúde da população.
O plano prevê um investimento robusto de R$ 9,8 bilhões para ampliar a capacidade de preparação e resposta da saúde pública a eventos climáticos extremos. O cronograma de metas se estende até 2035, englobando 27 metas e 93 ações estruturadas.
A proposta central busca antecipar riscos climáticos com a emissão de alertas, preparar serviços de saúde mais resilientes, proteger as populações em regiões de maior vulnerabilidade e fortalecer a capacidade do SUS em responder e reconstruir os territórios afetados por desastres.
As Cinco Frentes de Atuação
Para garantir rapidez nas ações e antecipação de cenários críticos, o programa foi dividido em cinco frentes principais:
-
Coordenação: Criação de salas de situação e articulação direta com estados, municípios e a Defesa Civil.
-
Fortalecimento da Saúde: Mobilização de equipes e reforço no atendimento a territórios isolados.
-
Comunicação: Emissão de orientações claras para gestores, profissionais de saúde e para a comunidade.
-
Vigilância e Alertas: Monitoramento contínuo de riscos climáticos, sanitários e epidemiológicos.
-
Reforço de Insumos: Garantia de medicamentos, vacinas, água segura e infraestrutura para respostas rápidas.
Como parte da estratégia, o governo federal implantará oito Centros Integrados de Saúde e Clima distribuídos pelas cinco regiões do país. O primeiro deles será inaugurado na Bahia.
Monitoramento do Calor Extremo e Força Nacional
Uma das grandes novidades é o lançamento do Painel Nacional de Excesso de Calor. A ferramenta dará suporte às ações de vigilância e prevenção contra o calor extremo, contando com um sistema de alerta precoce capaz de prever riscos com até cinco dias de antecedência.
Além disso, a Força Nacional do SUS será expandida para oito bases nas cinco regiões brasileiras. O objetivo da pasta é que as equipes tenham capacidade de iniciar o atendimento a qualquer tipo de emergência em até 12 horas, deflagrando ações complexas em um teto máximo de 72 horas após o desastre.
Cuidados com os Idosos
O ministério também desenvolveu um protocolo específico voltado à proteção de idosos em dias de calor intenso. As principais recomendações incluem:
-
Oferecer água constantemente, mesmo que a pessoa não sinta sede;
-
Evitar a exposição direta ao sol nos horários mais quentes do dia;
-
Manter os ambientes domésticos ventilados, frescos e arejados;
-
Monitorar rigidamente a administração correta de medicamentos de uso contínuo;
-
Utilizar soro fisiológico em caso de ressecamento dos olhos ou narinas.
Crise Climática é Crise de Saúde Pública
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, reforçou a gravidade do cenário atual e destacou que a adaptação é uma urgência humanitária.
“A crise na saúde pública decorrente das mudanças climáticas é, talvez, uma das faces mais dolorosas e mais evidentes para a população dos impactos das mudanças climáticas”, pontuou o ministro.
Padilha citou um estudo recente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o qual aponta que 120 mil mortes registradas nos últimos 20 anos no Brasil estiveram diretamente relacionadas ao aumento da temperatura média em várias regiões. Para o chefe da pasta, embora mitigar as emissões de carbono seja essencial, adaptar a estrutura do SUS para acolher as vítimas do clima é o desafio mais urgente do setor.
Via: Agência Brasil
RRMAIS.COM.BR “Notícias com Credibilidade” – Guaraniaçu-Pr.
Envie fotos vídeos, sugestão de pautas, denúncias e reclamações para a equipe Portal RRMAIS.COM.BR pelo WhatsApp (45) 9 9132-8230.